Funilaria

Até onde vai a linha do pensamento que se estabelece sem alicerce algum, que se guia pelo escuro iluminando só o que se passou, que se existe em uma trilha sem apagar as palavras, como se elas fossem esculpidas em grandes obras que seriam admiradas por todo o grupo interior involuntário do ser que as esculpe?

Estava calmo… até que o mar de todos os temores inundou minha cidade.

Sinto falta de… nem sei mais o quê, mas isto me consome.
“Eles dizem que o amor é para sempre…

… e seu para sempre é tudo o que eu preciso”. Ele caminhava com a certeza que ela jamais o abandonaria. Tantas foram as palavras proferidas há tempos atrás que o fizeram sonhar eternamente.

O tempo passa e muitas coisas mudam. Na verdade nada permanece igual. Soma-se ou se diminui. O “para sempre” dela acabou… e o dele não tem fim.

Existencial

Ainda sinto falta do “eu” meu que existia quando você habitava por aqui. Quando você se foi, parte de mim se foi e o resto também. Hoje não sou eu, nem sei o que sou, talvez eu seja o “eu” que agora espera a sua volta para recuperar aquele “eu” que só com você existiu. Por quanto tempo mais terei de sentir falta de mim?

Lavagem cerebral

Palavras apagadas, finais repetidos… inícios não concluídos. Enredos que se encerram sem ao menos começarem. Uma escolha, um caminho, um sentido e a certeza de que não se pode voltar atrás. Talvez seu mundo esteja cansado demais para continuar soando os clichês que habitam no imaginário alheio e se transpõem em uma esquina qualquer, onde todos que ali passam carregam consigo parte das entrelinhas enquanto deixam novos desfechos. Os papéis se confundem, as estruturas se abalam, o ar que ali habitava se torna sujo, impuro, infame. Os moldes tentam lhe encaixar em padrões variáveis que o levam a lugar algum, incomum, o qual é longe do seu “eu”. Para onde foi a essência?

Uma escolha, um caminho, um sentido e a certeza de que não se pode voltar atrás.

Sumir

De alguma forma a súplica é verdadeira. Sobreviver entre escolhas construtivas e destrutivas. Tantas são as formas, tantos são os detalhes, tantos são os defeitos escondidos na perfeição, que passam sem se perceber enquanto os olhos querem se fechar, por não conseguir suportar mais um corpo exausto.

E cada vez vai ficando mais pesado. As pálpebras cedem mais do que lutam para devolver o mundo de quem vê… e eu só queria vê-la mais uma vez, como em todas as outras vezes que a vi. 

E no final tudo acaba igual.